Investimentos de longo prazo: o que muda na construção de patrimônio

Tempo, disciplina e constância ajudam a transformar pequenos aportes em patrimônio no longo prazo

Foto: Getty Images
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Construir um patrimônio financeiro sólido exige paciência, consistência e, acima de tudo, tempo para que esse alicerce sustente imprevistos, tanto pessoais quanto conjunturais, ao longo do tempo. E a engrenagem que sustenta os investimentos de longo prazo atende pelo nome de juros compostos. No curto prazo, o impacto de uma aplicação parece pequeno, mas, quando o horizonte se estende por 10, 15 ou 20 anos, o cenário se transforma completamente.

No início da construção de patrimônio, o esforço principal vem do bolso do investidor, por meio dos aportes mensais. Com o passar do tempo, contudo, os juros gerados pelo próprio dinheiro começam a render mais juros. Chega um momento em que os rendimentos ultrapassam o valor aplicado mensalmente. É o ponto de inflexão em que o dinheiro passa a trabalhar pelo investidor, e não o contrário.

Para o longo prazo, o tempo é muito mais importante do que a quantidade de dinheiro que se tem para começar. Mas claro que começar cedo, mesmo com pouco, é mais vantajoso, matematicamente falando, do que começar tarde com valores elevados.

O efeito bola de neve

Para entender como os juros compostos funcionam de forma simples, vai aqui uma analogia: imagine que você está no topo de uma montanha coberta de neve e faz uma bola com as mãos. Se você descer a montanha rodando-a no chão, ela, claro, vai diminuir bem rápido até sumir. Se você subir a montanha com a mesma bola, ela vai aumentar de tamanho devagar e sempre, virando uma bola de neve considerável até para fazer um boneco.

Parece besteira, mas é assim que os juros compostos trabalham no decorrer do tempo. Eles ajudam o dinheiro a render a favor do tempo.

O principal inimigo do longo prazo hoje é o imediatismo. Saber esperar a hora certa de retirar uma aplicação ou mesmo não conseguir aguardar até a data do vencimento de um investimento tem mais a ver com o comportamento de quem investe do que com os cenários macroeconômicos ou condições financeiras da pessoa. Bombardeados por promessas de enriquecimento rápido, alguns investidores abandonam a consistência da carteira em busca de lucros milagrosos. Mas a construção de patrimônio é uma maratona, não uma corrida de cem metros.

Outro desafio de investir a longo prazo é a disciplina fiscal. Manter a regularidade dos aportes, mesmo em momentos de volatilidade política ou econômica, exige resiliência. O investidor de sucesso foca o número de cotas e ativos que acumula ao longo dos anos, sabendo que as crises passam, mas as grandes empresas e os títulos estruturados continuam gerando valor.

Outros desafios

Há ainda a desconfiança do próprio mercado financeiro, mesmo que hoje haja mais informações e facilidades tecnológicas para acabar com o receio de investir e perder os recursos. Vamos levar em conta o seguinte: durante décadas, a poupança foi o destino quase universal do dinheiro dos brasileiros devido à simplicidade e ao medo da inflação. Mas hoje, com o avanço do mercado financeiro e as transformações na economia brasileira, novos caminhos de investimentos foram abertos e ganharam solidez e robustez com o tempo, mostrando-se alternativas seguras e mais inteligentes para formar patrimônio.

Com a digitalização dos bancos e das corretoras de valores, o acesso a títulos de Renda Fixa mais rentáveis e seguros — como o Tesouro Direto (títulos públicos garantidos pelo governo federal), CDBs, LCIs e LCAs — foi totalmente democratizado. Com menos de R$ 40 é possível investir em um título público que protege o dinheiro contra a inflação e paga uma taxa de juros real acima dela.

Se no passado investir em imóveis significava comprar um terreno ou um apartamento físico, o mercado de capitais mudou isso radicalmente com os Fundos Imobiliários (FIIs). Por meio deles, é possível comprar cotas de shoppings, prédios comerciais e galpões logísticos do País na Bolsa de Valores (B3) e receber quantias mensais diretamente na conta de forma proporcional e com isenção de Imposto de Renda. O mesmo ocorre com os FI-Infra, fundos focados em financiar grandes obras de energia, saneamento e rodovias.

Além disso, o Brasil está envelhecendo – e para muitos, a aposentadoria tradicional não será suficiente para cobrir todas as despesas de uma vida sem trabalho. Uma das alternativas para essa questão passa a ser a previdência complementar. Existem muitos planos acessíveis e disponíveis para os investidores, com valores de entrada baixos, e com um grande benefício antes da velhice – parte do valor investido em PGBL, pode ser abatida na declaração do Imposto de Renda, com dois benefícios juntos: a economia fiscal e a acumulação de patrimônio com o tempo.

Ler mais sobre as alternativas, sobre as decisões econômicas do Brasil e do mundo e saber o que quer conquistar, em quanto tempo e quanto de risco se está disposto a tomar é fundamental para saber escolher os melhores investimentos.

Pensar em uma estratégia no longo prazo não serve apenas para garantir uma aposentadoria confortável frente às incertezas dos sistemas públicos de previdência. Trata-se, fundamentalmente, de comprar liberdade de escolha e segurança para a família. Com planejamento, diversificação e o tempo como aliado, o investidor moderno tem em mãos as ferramentas necessárias para ditar o ritmo da sua independência financeira.