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Entenda como a queda dos juros afeta as aplicações financeiras

Cortes na Selic alteram o rendimento da renda fixa e influenciam os preços de ações e fundos imobiliários, mas não determinam sozinhos as escolhas de quem aplica

Prazo e necessidade de liquidez também orientam as escolhas de aplicações financeiras - Foto: Getty Images
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A Selic caiu de 15% para 13,75% ao ano desde março, em cinco cortes consecutivos do Copom. A redução muda o rendimento de aplicações atreladas à taxa básica e pode influenciar os preços de títulos, ações e fundos imobiliários. Os efeitos, porém, variam conforme as características de cada aplicação e as condições do mercado.

O efeito mais direto aparece nas aplicações atreladas à Selic ou ao CDI, como o Tesouro Selic, os CDBs pós-fixados e muitos fundos DI. Como o rendimento acompanha essas taxas, novos cortes tendem a reduzir o retorno dali para frente, embora o resultado de cada aplicação também dependa de condições como taxas e tributação.

Quem comprou títulos prefixados ou atrelados à inflação pode observar outro efeito: a marcação a mercado. Se as taxas exigidas pelo mercado para títulos semelhantes caírem, o preço dos papéis já emitidos tende a subir. Assim, um Tesouro Prefixado 2030 adquirido anteriormente pode apresentar valorização antes do vencimento, mesmo que seu titular não o venda. O movimento contrário também é possível: uma alta das taxas de mercado pode reduzir o preço do título. No caso dos papéis IPCA+, essa variação envolve a taxa de juros real negociada no mercado, além da correção pela inflação.

A relação entre renda fixa e bolsa

Quando a renda fixa passa a oferecer retornos menores, ações podem ganhar atratividade relativa. Há também um efeito na avaliação das empresas, explicado na matéria sobre valuation: taxas de desconto mais baixas podem elevar o valor presente dos fluxos de caixa futuros. Isso, porém, não garante alta das ações. As perspectivas de lucro, a situação das empresas e as expectativas para os juros também influenciam os preços.

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Os fundos imobiliários podem ser afetados por essa comparação com a renda fixa. Se os juros caem, os rendimentos distribuídos por um fundo podem parecer mais atraentes. Comparar apenas o percentual distribuído com a Selic, contudo, não basta: o preço das cotas oscila, os rendimentos podem variar e a tributação das aplicações é diferente.

Crédito privado e câmbio

A Selic é uma referência importante para o custo do crédito no País. Com juros mais baixos, novas emissões de CDBs e debêntures podem oferecer taxas nominais menores. Os spreads, porém, também dependem da avaliação da capacidade de pagamento do emissor e das condições de mercado. Nas debêntures incentivadas destinadas a projetos de infraestrutura, a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas continua sendo um fator a considerar.

A redução dos juros no Brasil também pode diminuir a diferença de retorno em relação a aplicações em outras moedas. Dependendo do cenário externo e das expectativas para a economia brasileira, isso pode pressionar o câmbio. Um real mais fraco encarece produtos importados e pode influenciar a inflação, um dos fatores considerados pelo Copom ao definir a taxa básica.

A direção da Selic, portanto, ajuda a entender o cenário, mas não resolve sozinha a escolha de uma aplicação. Prazo, necessidade de liquidez e tolerância a oscilações continuam sendo critérios para decidir o destino do dinheiro.

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