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CIOs do setor financeiro aceleram adoção de IA, mas governança não segue o ritmo

Levantamento global mostra avanços na prestação de serviços e na experiência do cliente, mas aponta dificuldades para ampliar o uso da tecnologia com segurança

Falta de treinamento no uso de IA preocupa 67% dos executivos de tecnologia do setor financeiro - Foto: Getty Images
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Entre os CIOs do setor financeiro, 96% registraram aumento do interesse pela inteligência artificial em suas organizações no último ano. Ao mesmo tempo, mais da metade não se sente plenamente confiante na existência de um roteiro consistente para conduzir essa expansão. É o retrato apresentado pelo Logicalis CIO Report 2026, levantamento global divulgado em março.

O estudo foi conduzido pela consultoria independente Vanson Bourne, contratada pela Logicalis, entre o fim de 2025 e o início de 2026. Foram ouvidos mil profissionais de negócios e tecnologia em cargos de gerência ou superiores, na Europa, Ásia-Pacífico e Américas, em empresas com pelo menos 250 funcionários.

De acordo com o levantamento, 52% dos CIOs do setor financeiro não se consideram plenamente confiantes de que suas organizações tenham um roteiro coerente para orientar a evolução da IA nos próximos dois ou três anos. A mesma proporção avalia que a implementação está avançando rápido demais, enquanto 89% afirmam que suas organizações estão aprendendo na prática, à medida que implantam novas soluções.

Apesar dessas limitações, a tecnologia já apresenta resultados em áreas específicas. Entre os CIOs, 55% relatam melhora na prestação de serviços, 51% na experiência do cliente e 47% em análises preditivas e projeções.

O desafio está em transformar esses resultados localizados em uma capacidade disseminada pela organização. Segundo o estudo, 68% dos executivos do setor financeiro não demonstram forte confiança na possibilidade de ampliar seus projetos de IA para além de pilotos e provas de conceito.

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As principais barreiras estão relacionadas à maturidade organizacional. Regulamentação e conformidade preocupam 90% dos entrevistados, dificuldades ligadas aos dados afetam 89%, a cultura organizacional é apontada como obstáculo por 84% e a escassez de competências técnicas internas aparece em 82% das respostas.

Segurança é o ponto mais sensível

O avanço da IA também cria novas vulnerabilidades dentro das instituições financeiras. Segundo o levantamento, 78% das organizações do setor sofreram algum incidente cibernético no último ano. Esse dado não significa que os episódios tenham sido provocados pela IA, mas 27% dos CIOs já classificam a tecnologia como uma fonte significativa de exposição para os negócios.

Entre os executivos, 35% afirmam que a IA criou novos pontos cegos de segurança e 40% registraram piora no tempo de resposta a incidentes.

A falta de visibilidade também preocupa. Ao todo, 65% dos CIOs não se dizem plenamente confiantes de que consigam identificar todas as ferramentas de IA utilizadas em suas organizações, enquanto 66% avaliam que os modelos de governança não acompanham a velocidade da tecnologia.

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Mesmo com as lacunas de governança, o setor já mira a etapa seguinte: 59% das organizações financeiras planejam destinar recursos à IA agêntica nos próximos 12 meses. Trata-se de sistemas capazes de executar tarefas e tomar decisões com autonomia e pouca intervenção humana.

Para sustentar essa transição, 97% dos CIOs esperam recorrer a provedores de serviços gerenciados nos próximos anos. Outros 28% acreditam que a computação quântica poderá afetar os modelos de negócio existentes dentro de dois anos.

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