Publicidade

Infraestrutura e crédito ganham espaço com juros elevados, diz CEO do Patria

Em entrevista ao Estadão, Alexandre Saigh também destaca a expansão internacional da gestora, a segurança regulatória da América Latina e as oportunidades em saneamento e data centers

Alexandre Saigh, CEO do Patria - Foto: Divulgação/Patria
Publicidade
Publicidade

Os juros devem permanecer elevados por mais tempo e manter o interesse dos investidores por infraestrutura e crédito nos próximos anos. A avaliação é de Alexandre Saigh, cofundador e CEO do Patria, que, em entrevista ao Estadão, detalhou a estratégia de expansão internacional da gestora e apontou a segurança regulatória e o baixo risco geopolítico da América Latina como atrativos para investimentos estrangeiros de longo prazo.

Uma das maiores gestoras de ativos do Hemisfério Sul, o Patria administra atualmente US$ 62 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 317 bilhões. Em 2024, esse volume era de US$ 40 bilhões, e a meta é alcançar US$ 70 bilhões até o fim de 2027. Segundo Saigh, tal crescimento acompanhou o avanço da internacionalização, que ganhou papel central na estratégia da companhia após a abertura de capital, em 2021.

O movimento começou na América do Sul, inicialmente pelo Chile, e avançou para Colômbia e Peru. O México é apontado pelo executivo como o último mercado estratégico da expansão regional. A entrada no país teve início com a aquisição de uma operação voltada a fundos imobiliários listados, com foco em ativos logísticos.

Fora da América Latina, o Patria adquiriu, em 2023, uma operação da Abrdn, assumida no início de 2024, e passou a atuar a partir de escritórios em Londres e Edimburgo. A gestora também comprou a WP Global Partners, nos Estados Unidos. Enquanto na América Latina o Patria investe diretamente em empresas, infraestrutura e ativos imobiliários, no Reino Unido e na Europa a atuação inclui fundos que aplicam recursos em outros fundos.

Nesse segmento, a gestora concentra sua atuação no middle market. De um universo de aproximadamente 8 mil gestores, seleciona cerca de 70, menos de 1% do total. De acordo com Saigh, esses gestores administram fundos com patrimônio entre US$ 1 bilhão e US$ 5 bilhões. O mercado global de ativos alternativos, área na qual o Patria atua, movimenta cerca de US$ 25 trilhões, segundo o executivo.

Publicidade
Publicidade

A internacionalização também aparece na distribuição dos clientes e dos ativos da companhia. Atualmente, 15% dos clientes do Patria estão no Brasil, 25% no restante da América Latina e 60% em outras regiões. Em relação aos investimentos, 30% estão no Brasil, 30% nos demais países latino-americanos e 40% fora da região.

Saigh afirmou que o interesse dos investidores se modificou desde a pandemia, com aumento da demanda por infraestrutura e crédito e redução da procura por private equity. A mudança está relacionada ao ambiente de juros elevados, que reduz a atratividade dos investimentos em renda variável. Como o Patria já havia desenvolvido essas áreas anteriormente, a gestora estava posicionada para atender à nova demanda.

Na avaliação do CEO, os juros devem permanecer altos nos próximos anos, e uma queda mais expressiva deve ocorrer apenas no longo prazo. Ele relaciona essa perspectiva não apenas a questões brasileiras, mas também aos conflitos internacionais, às tarifas comerciais e às transformações em curso no comércio global. Diante desse ambiente, Saigh aponta a diversificação entre crédito estruturado, mercado imobiliário, infraestrutura e renda variável como uma forma de proteção diante das mudanças no cenário econômico.

O executivo também destacou diferenças entre os investidores brasileiros e estrangeiros. Enquanto o investidor local tende a buscar liquidez diária e rentabilidade elevada, tendo o CDI como referência, o internacional procura ativos de maior duração. Para aplicar recursos na América Latina, esse investidor observa principalmente a estabilidade do arcabouço regulatório e a continuidade dos contratos ao longo de diferentes governos.

Segundo Saigh, o Brasil preservou e aprimorou as regras de setores como saneamento, gás e energia elétrica. O executivo citou ainda Chile e Colômbia entre os países que mantiveram a estabilidade institucional necessária aos projetos de longo prazo. Outro aspecto favorável à região, em sua avaliação, é o baixo risco geopolítico, que ganhou relevância diante dos conflitos na Europa e no Oriente Médio e das mudanças políticas nos Estados Unidos.

Publicidade
Publicidade

No Brasil, o saneamento está entre as áreas que despertam maior interesse do Patria. A gestora venceu uma concessão em Pernambuco e está estruturando a Vita Sertão, empresa que atuará na ampliação dos serviços de água e esgoto. Para Saigh, o marco regulatório e a manutenção de suas regras são fundamentais para viabilizar os aportes privados necessários ao setor.

Outro foco é o mercado de data centers. O Patria fechou um contrato para a construção de um data center destinado à ByteDance em Pecém, no Ceará, em um projeto desenvolvido com a Omnia. O empreendimento prevê R$ 12 bilhões em investimentos e capacidade total de 1 GW. A primeira fase corresponderá a 20% do projeto, com 200 MW.

De acordo com Saigh, a disponibilidade de energia renovável a custo relativamente baixo oferece ao Brasil uma vantagem competitiva para o processamento de dados. Na avaliação do executivo, os data centers permitem transformar a energia produzida no País em um produto de maior valor agregado. “Em vez de exportar a energia diretamente, você exporta dados”, afirmou.

Leia a íntegra da entrevista no site do Estadão.

Publicidade
Publicidade