{"id":279,"date":"2026-06-27T16:47:27","date_gmt":"2026-06-27T16:47:27","guid":{"rendered":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/?p=279"},"modified":"2026-07-07T12:46:22","modified_gmt":"2026-07-07T12:46:22","slug":"rodovias-seguirao-como-principal-modal-de-transportes-do-pais-pelos-proximos-30-anos-diz-paulo-resende","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/rodovias-seguirao-como-principal-modal-de-transportes-do-pais-pelos-proximos-30-anos-diz-paulo-resende\/","title":{"rendered":"&#8220;Rodovias seguir\u00e3o como principal modal de transportes do Pa\u00eds pelos pr\u00f3ximos 30 anos&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos anos, o Brasil passou a reconhecer que o or\u00e7amento p\u00fablico sozinho n\u00e3o consegue atender \u00e0 demanda por investimentos em infraestrutura. Tanto que o Pa\u00eds historicamente investe apenas 1,5% do PIB, fatia bem abaixo da m\u00e9dia de outras economias de dimens\u00f5es continentais como a nossa. Como consequ\u00eancia, cresce a participa\u00e7\u00e3o do setor privado, enquanto o poder p\u00fablico tende a concentrar recursos em projetos com menor interesse comercial, mas considerados essenciais para o desenvolvimento social e regional, como explica Paulo Resende, diretor do N\u00facleo de Infraestrutura, Supply Chain e Log\u00edstica da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral e pesquisador respons\u00e1vel pela Plataforma de Infraestrutura em Log\u00edstica de Transportes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na entrevista, o especialista aponta de que forma o Brasil avan\u00e7ou no setor e quais s\u00e3o os gargalos que ainda ter\u00e1 de enfrentar pela frente, al\u00e9m de explicar os motivos pelos quais os investimentos privados ganham tanta import\u00e2ncia para que a engrenagem de crescimento do Pa\u00eds n\u00e3o pare. Confira a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Engrenagens do Crescimento:<\/strong> Quando observamos a infraestrutura brasileira hoje, quais s\u00e3o os principais avan\u00e7os registrados nos \u00faltimos anos e onde ainda existem os maiores gargalos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Paulo Resende:<\/strong> O Brasil avan\u00e7ou muito nos \u00faltimos anos (eu diria nos \u00faltimos dez anos) em dois contextos: as concess\u00f5es de rodovias e nos terminais portu\u00e1rios. Considerando esse per\u00edodo, os investimentos em portos ultrapassaram R$ 30 bilh\u00f5es, contribuindo em muito para a moderniza\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o da capacidade operacional. No caso de rodovias, os investimentos ultrapassaram a ordem de R$ 180 bilh\u00f5es com dezenas de leil\u00f5es realizados nos \u00e2mbitos federal e estadual, provocando uma onda muito positiva de aumento da capacidade das rodovias, seus n\u00edveis de servi\u00e7os e redu\u00e7\u00e3o da severidade dos acidentes. S\u00e3o avan\u00e7os fundamentais para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social do Brasil, proporcionando maior conectividade e efici\u00eancia na movimenta\u00e7\u00e3o de cargas e passageiros, com reflexos muito positivos na competitividade do Pa\u00eds no cen\u00e1rio global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro grande gargalo apresenta uma contradi\u00e7\u00e3o a um dos avan\u00e7os descritos. \u00c9 justamente a depend\u00eancia do Brasil de rodovias, que s\u00e3o respons\u00e1veis pelo deslocamento de cargas de baixo valor agregado e peso bruto alto (commodities agr\u00edcolas, por exemplo), em grandes dist\u00e2ncias, o que eleva em muito os custos de transportes. Al\u00e9m disso, nossa malha pavimentada n\u00e3o ultrapassa os 20%, com menos de 8% de um total de quase 1,7 milh\u00e3o de km com pistas duplicadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo gargalo tem justamente a ver com a depend\u00eancia rodovi\u00e1ria pela baix\u00edssima participa\u00e7\u00e3o de modais como ferrovias e hidrovias. Para se ter um exemplo, na maior \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o de soja do Brasil, a dist\u00e2ncia entre o \u00faltimo trilho da ferrovia, em Rondon\u00f3polis (MT), e Miritituba (PA) \u00e9 de 1.681 km. Ou seja, n\u00e3o compensa nem uma integra\u00e7\u00e3o rodoferrovi\u00e1ria onde os caminh\u00f5es preferem ir direto para Santos, Paranagu\u00e1 ou para o Arco Norte, impedindo a forma\u00e7\u00e3o de corredores multimodais de transportes. Finalmente, h\u00e1 de se destacar que a participa\u00e7\u00e3o das hidrovias n\u00e3o chega a 12%, incluindo o transporte de cabotagem, sendo que temos o maior complexo de rios e costa naveg\u00e1veis do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Engrenagens do Crescimento:<\/strong> O Brasil discute infraestrutura h\u00e1 d\u00e9cadas. O que mudou na pr\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de execu\u00e7\u00e3o e planejamento dos projetos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Paulo Resende:<\/strong> Na pr\u00e1tica, o que mudou \u00e9 que o Pa\u00eds parou de acreditar nas promessas que afirmavam que o or\u00e7amento p\u00fablico poderia dar conta de toda a demanda que t\u00ednhamos para avan\u00e7ar com a oferta de infraestrutura. O resultado foi o mais baixo n\u00edvel de investimentos em infraestrutura entre as 20 principais na\u00e7\u00f5es do mundo. O Pa\u00eds, nos \u00faltimos 50 anos, jamais ultrapassou a m\u00e9dia de 1,5% do PIB em investimentos em infraestrutura. Enquanto isso, pa\u00edses como China, EUA, \u00cdndia, Austr\u00e1lia, Canad\u00e1 e R\u00fassia (ou seja, pa\u00edses de dimens\u00f5es continentais) mantiveram m\u00e9dias acima de 4,5%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, o que mudou na pr\u00e1tica foi o olhar das solu\u00e7\u00f5es de investimentos passando, prioritariamente, pelo setor privado. Hoje, independentemente de quem governar o Pa\u00eds e seus Estados, n\u00e3o poder\u00e1 mais deixar de transferir ativos de infraestrutura para a gest\u00e3o da iniciativa privada (concess\u00f5es, autoriza\u00e7\u00f5es, PPPs, etc.). Restando ao or\u00e7amento p\u00fablico investir o pouco que tem em projetos que n\u00e3o s\u00e3o atrativos para investidores, mas que s\u00e3o necess\u00e1rios para o desenvolvimento social e regional do Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Engrenagens do Crescimento:<\/strong> Rodovias continuam sendo um eixo central da log\u00edstica nacional. Quais s\u00e3o hoje os maiores desafios para ampliar a qualidade e a efici\u00eancia da malha rodovi\u00e1ria?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Paulo Resende:<\/strong> Em primeir\u00edssimo lugar desmontar a narrativa absolutamente ultrapassada e irrespons\u00e1vel de que as rodovias precisam ser substitu\u00eddas por outros modais. As rodovias continuar\u00e3o sendo o modal de maior participa\u00e7\u00e3o na matriz de transportes do Pa\u00eds nos pr\u00f3ximos 30 anos, no m\u00ednimo. Acontece que colocar na carroceria de um caminh\u00e3o 35 toneladas de soja em gr\u00e3os e andar com ele mais de 1.000 km \u00e9 absolutamente incompat\u00edvel com a l\u00f3gica matem\u00e1tica das economias de escala e de dist\u00e2ncia. Em segundo lugar, achar que o Brasil vai colocar computadores em ferrovias para levar em grandes comboios \u00e9 t\u00e3o il\u00f3gico quanto a primeira quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, o Pa\u00eds precisa criar um sistema rodovi\u00e1rio que garanta o porta a porta, que coloque as rodovias alimentadoras de sistemas ferro-hidrovi\u00e1rios para cargas de menor valor agregado e peso bruto maior e, sobretudo, aumentar o n\u00edvel de servi\u00e7o das rodovias na sua rela\u00e7\u00e3o volume de tr\u00e1fego versus capacidade. Ou seja, trabalhar o m\u00e1ximo poss\u00edvel para que as rodovias apresentem velocidade, flexibilidade, capacidade de atender \u00e0 \u00faltima milha log\u00edstica e que sejam integradas a outros modais para cria\u00e7\u00e3o de sinergias log\u00edsticas de alto n\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Engrenagens do Crescimento:<\/strong> O modelo de concess\u00f5es ganhou espa\u00e7o nos \u00faltimos anos. Quais resultados ele trouxe e quais ajustes ainda precisam ser feitos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Paulo Resende:<\/strong> O modelo de concess\u00f5es, seja ele para rodovias, portos e terminais, ferrovias e outros modais, \u00e9 na ess\u00eancia um modelo de parceria p\u00fablico-privada. S\u00f3 que \u00e9 uma PPP com a seguinte din\u00e2mica: setor p\u00fablico cuida da modelagem, da prioriza\u00e7\u00e3o multicriterial do portf\u00f3lio, dos modelos de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle e, sobretudo, da garantia de retorno em servi\u00e7os para os usu\u00e1rios \u2013 \u00e9 a fase do<strong> <\/strong>contexto de \u201cprojeto\u201d. O setor privado \u00e9 respons\u00e1vel pela \u201cfase ou contexto de processo\u201d. Ou seja, a gest\u00e3o de longo prazo n\u00e3o \u00e9 um projeto, mas sim um processo. Quando o modelo de concess\u00e3o observa as nuances do que \u00e9 um projeto que se transforma em um processo, os resultados s\u00e3o investimentos crescentes, aumento da qualidade da infraestrutura, enfim, o que estamos vendo principalmente nas rodovias, portos e aeroportos. Ao mesmo tempo, tendo o setor p\u00fablico como o mantenedor do retorno ao usu\u00e1rio, atinge-se um equil\u00edbrio entre investimentos remunerados, mas retorno para a sociedade. Essa din\u00e2mica permite que ajustes sejam feitos quando precisam ser feitos (exemplo, inser\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios de seguran\u00e7a vi\u00e1ria, redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, governan\u00e7a e \u00e9tica, etc.) \u00e0 medida da necessidade, sem que sejam erroneamente interpretados como quebras de contratos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista analisa os avan\u00e7os da infraestrutura brasileira e os desafios para ampliar os investimentos<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":306,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,9],"tags":[37,36,35],"class_list":["post-279","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-entrevistas","tag-entrevista","tag-fundacao-dom-cabral","tag-paulo-resende"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=279"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":466,"href":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/279\/revisions\/466"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/wp-json\/wp\/v2\/media\/306"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/especiais.estadao.com.br\/engrenagensdocrescimento\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}