Alívio no curto prazo, Desenrola 2.0 pode estimular novas dívidas
Com dívidas bancárias afetando quase metade da renda das famílias brasileiras, o governo finaliza um pacote de socorro a endividados para dar novo fôlego ao consumo e impedir uma desaceleração da economia. A cada mês, de forma nunca antes registrada pelo Banco Central, 29,3% da renda familiar é comprometida com pagamentos de juros e amortizações, informam Eduardo Laguna, Renata Pedini e Francisco Carlos de Assis. O endividamento recorde é agora uma das principais preocupações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição. Em seu terceiro mandato, ele fez pelo menos 13 pronunciamentos estimulando o consumo das famílias ou a tomada de crédito para fazer “a roda da economia girar”. Mas o Desenrola 2.0, como está sendo chamado o conjunto de medidas discutidas pelo governo, já é alvo de críticas de especialistas, que veem risco de o pacote, num segundo momento, abrir espaço a novas dívidas.