Energia e a nova economia: investimentos na transição energética

Conheça as principais alternativas para investir em um dos setores mais estratégicos da economia brasileira

Rede de transmissão de energia - Foto: Getty Images
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O cenário energético global vive a sua transformação mais radical desde a Revolução Industrial. A urgência climática e a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa forçaram governos e indústrias a acelerar a chamada transição energética, que basicamente é a substituição de combustíveis fósseis (como carvão e petróleo) por fontes limpas e renováveis, como energia solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde.

No Brasil, esse setor funciona de forma estratégica. Dono de uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, o País atrai bilhões de reais em investimentos para erguer parques eólicos no Nordeste, fazendas solares no Sudeste e expandir linhas de transmissão que cruzam o território nacional. Fora isso, ainda somos o segundo maior produtor de energia hidrelétrica do mundo, atrás apenas da China. A força das águas é responsável por mais de 60% de toda a eletricidade gerada no País, que tem, assim, uma matriz elétrica altamente renovável garantida, cenário bem diferente daquele disponível na grande maioria dos países.

A importância desse movimento vai além do cuidado com o meio ambiente: trata-se de garantir a segurança energética do País, gerar empregos tecnológicos e criar uma infraestrutura moderna e resiliente para as próximas décadas. Uma nova economia que precisa de recursos financeiros, não só do governo e de grandes corporações, mas também de investidores dispostos a fazer aportes nesse estratégico (e, por isso mesmo, rentável) setor.

Como investir na transição energética?

Impulsionado pela B3 e pela evolução do mercado de capitais, o investidor pessoa física pode financiar diretamente essa transição por caminhos acessíveis com a montagem de uma carteira focada em energia limpa que combine opções de renda fixa e renda variável.

A seguir mostramos quatro maneiras de financiar no(SERIA?: o) setor para que você possa entender e buscar o que melhor combina com o seu perfil de investidor. São elas:

  1. Debêntures Incentivadas e Verdes (Green Bonds)

As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas de energia para construir usinas ou redes de transmissão. Muitas delas carregam o selo de “debêntures verdes”, o que garante que o dinheiro captado irá exclusivamente para projetos de impacto ambiental positivo (como a instalação de painéis solares).

A grande vantagem delas é que, por serem consideradas essenciais ao desenvolvimento do País, as debêntures incentivadas contam com isenção total de Imposto de Renda sobre os rendimentos para pessoas físicas.

  1. FI-Infra (Fundos de Investimento em Infraestrutura)

Para quem prefere não arriscar todo o dinheiro em um único projeto, uma boa opção são os FI-Infra, fundos fechados negociados na Bolsa que reúnem dezenas de debêntures de infraestrutura em uma única carteira. O gestor cuida da escolha dos títulos e o investidor recebe pagamentos mensais de dividendos.

Assim como as debêntures diretas, os FI-Infra têm benefício fiscal garantido por lei federal. O investidor tem imposto zero tanto nos dividendos mensais quanto no lucro obtido na venda das cotas na Bolsa.

  1. Ações de empresas de energia (ESG)

Outra forma direta é se tornar sócio de alguma das várias companhias elétricas listadas na B3 com a compra de um papel (ação) dessas empresas. O setor é dividido em geração, transmissão e distribuição de energia, sendo as que estão na transição para fontes 100% renováveis as mais procuradas.

Os dividendos distribuídos por ações são isentos de IR. Porém, se você vender suas ações com lucro e o total de vendas no mês superar R$ 20 mil, haverá incidência de 15% de imposto sobre o ganho de capital.

  1. ETFs de Sustentabilidade

Os ETFs são fundos que replicam índices de mercado, uma forma simples de comprar uma cesta inteira de empresas engajadas na nova economia de uma só vez. Na B3, existem opções que acompanham o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) ou o Índice de Energia Elétrica (IEE).

Sobre o IR, os ETFs não distribuem dividendos diretamente na conta (eles reinvestem o dinheiro no próprio fundo) e a venda de cotas com lucro tem alíquota de 15% de IR, sem faixa de isenção.

O que levar em conta antes de escolher

Investir na transição energética oferece vantagens importantes. A principal delas vale ouro para quem investe: a previsibilidade. Os contratos do setor elétrico costumam ser longos, duram de 20 a 30 anos, e são reajustados anualmente pela inflação (IPCA ou IGPM), o que funciona como uma espécie de escudo para o poder de compra do investidor.

Além disso, o forte apelo global pela agenda ESG, as incertezas geopolíticas e a busca por fontes alternativas ao petróleo e carvão garantem que esses ativos seguirão como promissores, tanto para receber fluxos maiores de investimentos quanto pelo interesse de grandes fundos internacionais em participar do setor.

Por outro lado, esses títulos não têm o seguro do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Há também um fator importante para avaliar, relacionado ao risco climático e regulatório. A geração de energia limpa depende de fatores naturais (ventos e chuvas); períodos longos de seca ou calmaria podem afetar o caixa das empresas. Mudanças repentinas em regras de tarifas pelo governo ou pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também podem alterar a rentabilidade esperada.