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Tecnologia e escala ampliam peso das empresas no transporte de cargas

Transportadoras ampliam presença no fluxo de mercadorias, enquanto autônomos são essenciais na capilaridade logística

Frotas empresariais e caminhoneiros autônomos dividem a operação do transporte rodoviário de cargas - Foto: Getty Images
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O transporte rodoviário de cargas é a espinha dorsal da economia brasileira e responde por cerca de 65% da movimentação de mercadorias no País. No imaginário popular, a figura do caminhoneiro autônomo cortando as estradas de ponta a ponta ainda é o símbolo dominante do setor. A estrutura do mercado, entretanto, revela uma presença crescente das empresas na logística nacional.

Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), destacados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostram que as Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas (ETCs) respondem por 68,45% da produção do setor, medida em toneladas por quilômetro útil (TKU). O indicador combina o peso da carga transportada com a distância percorrida. Os Transportadores Autônomos de Cargas (TACs), por sua vez, representam aproximadamente 12% dessa movimentação.

O contraste também aparece na estrutura do mercado. No final de 2025, os autônomos correspondiam a 73,27% dos transportadores cadastrados no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC), mas reuniam 32,56% dos veículos. As empresas representavam 26,67% dos transportadores e concentravam 66,07% da frota registrada. As cooperativas respondiam por 0,04% dos transportadores e 1,55% dos veículos.

Essa diferença evidencia um processo de concentração da frota, ganhos de escala e incorporação de tecnologia à infraestrutura logística brasileira. Compreender os fatores que impulsionam essa transformação e a dinâmica entre empresas e transportadores autônomos é fundamental para analisar a competitividade e o futuro das cadeias de suprimento no Brasil.

Os motores da concentração: escala, tecnologia e exigências do mercado

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A participação majoritária das empresas na produção do transporte rodoviário não ocorre por acaso. Ela está associada a transformações estruturais no perfil das cadeias de suprimento e nas exigências dos grandes embarcadores, como indústrias, redes de varejo, multinacionais e empresas de comércio eletrônico.

O primeiro diferencial está na maior capacidade de financiar tecnologia e renovação de frota. As empresas de transporte conseguem direcionar recursos com mais frequência para veículos novos e eficientes, sistemas de telemetria em tempo real, roteirizadores inteligentes e tecnologias de eficiência energética.

Tais ferramentas podem contribuir para reduzir o consumo de combustível, otimizar percursos e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. Esses critérios estão cada vez mais presentes nas políticas de sustentabilidade e na seleção de fornecedores por grandes contratantes.

Em segundo lugar, as exigências de previsibilidade, rastreabilidade e segurança favorecem as frotas estruturadas. Para reduzir ocorrências de roubo de carga e acidentes nas rodovias brasileiras, seguradoras e gerenciadoras podem estabelecer protocolos que incluem monitoramento por satélite, travas eletrônicas e, conforme o tipo de mercadoria, seu valor e a rota percorrida, escoltas.

As empresas mantêm estruturas operacionais dedicadas ao cumprimento dessas exigências e têm maior capacidade para assumir contratos de grande porte, com múltiplos veículos, prazos definidos e volumes elevados. Essas características ajudam a explicar sua participação expressiva na produção do transporte rodoviário.

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A escala e a integração logística também permitem que as transportadoras coordenem diferentes operações, otimizem rotas de ida e volta e reduzam viagens com os compartimentos de carga vazios, um dos principais fatores de aumento dos custos do setor.

Caminhoneiro autônomo na cadeia logística

Embora respondam por uma parcela menor da produção medida em TKU, os caminhoneiros autônomos continuam desempenhando uma função vital na logística do País. Eles são ampla maioria entre os transportadores cadastrados e atuam tanto de forma independente quanto em parceria com empresas e operadores logísticos.

Vulneráveis às oscilações dos custos de combustível, manutenção e pedágios, muitos profissionais atuam como agregados, exclusivos ou subcontratados por transportadoras. Nesse modelo, prestam serviços sem integrar a frota própria das empresas e ampliam a capacidade operacional do contratante.

O autônomo pode participar de diferentes etapas da cadeia, incluindo o transporte de curta e longa distância, o escoamento entre áreas de produção e portos durante os picos das safras e as operações de entrega de última milha nas regiões metropolitanas.

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A parceria pode ampliar o acesso dos motoristas a fretes recorrentes, embora não elimine a sazonalidade nem garanta estabilidade de demanda. Para as transportadoras, a contratação desses profissionais oferece flexibilidade para absorver picos de produção sem a necessidade de expansão permanente da frota própria.

Desafios e perspectivas para o futuro das estradas

A consolidação de um setor rodoviário mais empresarial e tecnológico pode gerar ganhos de produtividade, mas também amplia as exigências sobre a infraestrutura nacional.

O primeiro desafio está na qualidade das rodovias. O estado de conservação do pavimento afeta o consumo de combustível, o tempo de viagem e a previsibilidade das entregas, além de acelerar o desgaste de pneus e componentes mecânicos.

O avanço das concessões e a atração de investimentos privados podem contribuir para a modernização das rodovias. A melhoria da malha também depende de investimentos públicos em conservação e expansão das vias que permanecem sob administração estatal.

Outro ponto crítico é a formação e a retenção de mão de obra. Com o aumento da presença de sistemas embarcados, telemetria, assistência à condução e recursos digitais, cresce a necessidade de qualificação e atualização dos motoristas profissionais.

A diferença entre a participação das empresas e dos autônomos na produção do transporte rodoviário revela um setor formado por agentes com portes, estruturas e áreas de atuação distintos. As empresas concentram a maior parte da frota e reúnem condições para assumir operações de grande escala, enquanto os autônomos permanecem essenciais para a capilaridade e a flexibilidade da logística nacional.

Para o País continuar crescendo, investimentos em estradas de qualidade, segurança jurídica, formação profissional e modernização das frotas são condições importantes para fortalecer essa engrenagem e elevar a eficiência do transporte rodoviário de cargas.

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