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Crescimento do e-commerce amplia desafios para a logística

Pedidos avançaram no primeiro semestre, enquanto a queda do tíquete médio passou a exigir mais eficiência nas entregas

Aumento do número de pedidos amplia a demanda por processamento e distribuição no comércio eletrônico - Foto: Getty Images
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Os brasileiros estão comprando com mais frequência pela internet e gastando menos em cada pedido, combinação que amplia a pressão sobre as operações logísticas. No primeiro semestre deste ano, o comércio eletrônico faturou R$ 208,4 bilhões, crescimento de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025. Foram realizados 756,7 milhões de pedidos, alta de 34,8%, enquanto o tíquete médio recuou 13,3%, para R$ 275,50.

Os dados fazem parte do relatório Da Compra à Confiança — Panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026, elaborado pela Confi, por intermédio da Neotrust e da Aftersale, em parceria com o E-Commerce Brasil.

Para o segundo semestre, o levantamento projeta faturamento de R$ 254 bilhões. Caso a estimativa se confirme, o comércio eletrônico brasileiro deverá encerrar 2026 com R$ 462,5 bilhões em vendas, avanço anual de 18,6%.

Os números mostram que o crescimento do setor tem sido sustentado principalmente pelo aumento da frequência das compras. Com mais pedidos e menor valor médio por transação, cresce também a demanda por separação de mercadorias, embalagens, entregas, atendimento e gestão de trocas.

O aumento do volume trouxe maior complexidade às operações. À medida que as empresas ampliam as regiões atendidas, os portfólios de produtos e os canais de distribuição, integrações padronizadas e regras genéricas de sistemas podem se mostrar insuficientes. A tecnologia facilitou a troca de dados entre plataformas, mas não eliminou gargalos de gestão e capacidade de execução.

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“Durante muito tempo, o foco das empresas foi digitalizar processos e integrar sistemas. Isso era necessário. Mas a integração, sozinha, não resolve problemas relacionados à complexidade operacional. Ela é apenas o ponto de partida”, afirma Wagner Righetti, fundador da Orange Envios, empresa especializada em tecnologia aplicada à logística.

Na avaliação de Righetti, um dos erros recorrentes em empresas de médio porte é tratar a conexão entre o sistema integrado de gestão empresarial, conhecido pela sigla ERP, a plataforma da loja virtual e as transportadoras como a etapa final da transformação digital. O desempenho da operação também depende das regras adotadas para processar pedidos, selecionar transportadoras, calcular fretes e acompanhar as entregas.

Embora a integração técnica com as transportadoras tenha se tornado um requisito básico, as empresas passaram a buscar ganhos de eficiência no planejamento de rotas e no gerenciamento de fretes.

A expansão para diferentes regiões e perfis de carga exige regras específicas de despacho, acompanhamento dos gargalos de entrega e capacidade de adaptação aos períodos de maior demanda. Quando esses fluxos dependem de intervenção manual ou de parâmetros rígidos, aumentam as possibilidades de atrasos, retrabalho e falhas de comunicação.

Com a alta dos custos operacionais e a exigência crescente por prazos de entrega menores, uma das tendências é que os investimentos em transformação digital avancem da infraestrutura básica de software para a automação de decisões operacionais.

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A capacidade de absorver volumes elevados durante datas comemorativas sem prejudicar a experiência do cliente ou comprometer a margem do negócio tornou-se um indicador importante de maturidade operacional.

“Existe uma diferença importante entre estar digitalizado e estar preparado para crescer”, pondera Righetti. “A tecnologia é fundamental, mas precisa estar acompanhada por processos inteligentes e uma estrutura preparada para lidar com a complexidade da operação. É isso que vai separar as empresas que conseguem escalar daquelas que passam a enfrentar dificuldades justamente quando começam a crescer.”

Para as empresas, o desafio é transformar o aumento de escala em eficiência, evitando que o crescimento do volume de entregas eleve os custos logísticos a ponto de comprometer a margem de cada venda.

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