O que é o setor de crédito empresarial e qual a sua importância?
O acesso a recursos de longo prazo ajuda empresas a investir, crescer e ampliar sua competitividade
Para uma empresa crescer, é preciso que ela tenha capital disponível para investir no longo prazo, de forma que obtenha ganhos com seu negócio sem deixar de pensar grande e de fazer planos de expansão. E é justamente isso o que o crédito empresarial proporciona.
Mais do que simples empréstimos de curto prazo, o crédito empresarial abrange desde as linhas de capital de giro até os complexos financiamentos de longo prazo e as emissões de títulos de dívida corporativa. É o setor que fornece os recursos financeiros necessários para que as empresas comprem máquinas, ampliem fábricas, invistam em tecnologia e tirem projetos do papel.
Em um País imenso e com enorme demanda por expansão como o Brasil, o crédito empresarial é a chave mestra para que a produtividade industrial aumente e a economia avance como um todo. Por estar conectado a todos os ramos da atividade produtiva, cada grande financiamento corporativo aprovado se traduz na abertura de novos postos de trabalho, na contratação de fornecedores nacionais e na geração de renda para as famílias.
O potencial de crescimento desse mercado no Brasil é considerado um dos maiores do mundo e quase vital para dar suporte ao agronegócio e ampliar a competitividade internacional das empresas brasileiras.
Desafios para as empresas
O financiamento de grandes projetos de infraestrutura exige previsibilidade e taxas sustentáveis no longo prazo. Por isso, apesar de sua relevância, o setor de crédito empresarial brasileiro enfrenta entraves macroeconômicos e burocráticos que limitam a velocidade do desenvolvimento e encarecem os projetos.
O primeiro nó está no custo do capital e na taxa de juros real elevada. Com a manutenção de taxas básicas de juros (Selic) historicamente altas para combater a inflação, o crédito bancário tradicional se torna caro. Como resultado, o custo de capital aumenta e as margens de retorno dos empreendimentos são reduzidas.
Outro gargalo está no risco de crédito e na segurança jurídica das garantias. Grandes empréstimos corporativos são concedidos com base em avaliações minuciosas sobre a saúde financeira das empresas tomadoras, que nem sempre conseguem esse aval. Além disso, a lentidão do sistema jurídico para a execução de garantias em caso de inadimplência é um fator que faz parte desse mercado.
A questão é que esse ambiente eleva o prêmio de risco cobrado pelas instituições financeiras e cria um cenário em que o crédito fica restrito a poucas gigantes, deixando empresas de médio porte com dificuldades de acesso ao capital de longo prazo.
Há também o desafio da dependência histórica de bancos públicos de fomento. Por décadas, o financiamento de longo prazo no Brasil ficou excessivamente concentrado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O orçamento público limitado impede que o Estado banque sozinho a expansão de que o País necessita, tornando urgente a transição definitiva para modelos privados de mercado de capitais.
Investimento e inovação
É nesse contexto que o País entrou, nos últimos anos, em um ciclo no qual a Bolsa de Valores (B3) e as emissões privadas de dívida assumiram o protagonismo do financiamento corporativo. Investidores passaram a aportar recursos nessas modalidades de crédito de acordo com seu perfil de risco.
Por meio de debêntures incentivadas e de fundos estruturados de crédito privado, empresas de infraestrutura conseguem captar bilhões de reais diretamente com investidores institucionais e pessoas físicas. O apetite privado por esses títulos, que garantem isenção de IR, destrava recursos para rodovias, ferrovias e saneamento sem pesar no caixa do governo.
No mundo, o crédito empresarial está sendo redesenhado pelos conceitos de finanças verdes (green bonds) e critérios ESG (ambientais, sociais e de governança). Diante das exigências globais de transição climática, o foco do mercado de crédito mudou: juros mais baixos e melhores condições de financiamento são oferecidos a empresas que comprovam metas sustentáveis, como a redução da pegada de carbono ou a eficiência no uso da água.
O uso de inteligência artificial como ferramenta de apoio à análise de risco e à prevenção de fraudes contribui para que as empresas acessem a liquidez em tempo real. Ajuda, assim, a conectar o investidor que busca rentabilidade ao projeto de infraestrutura que precisa de recursos para transformar o futuro do País.
