Logística: o setor que move todas as áreas da economia e emprega milhões de pessoas 

Setor conecta empresas, consumidores e mercados e movimenta bilhões de reais em investimentos todos os anos

Foto: Getty Images
Publicidade

A cada trilho, barco, estrada, a engrenagem que move a economia global e dita o ritmo do consumo atende por um nome: logística. Muito além do transporte de cargas de um ponto a outro, o setor funciona como o sistema circulatório de um país e integra frotas de caminhões, malhas ferroviárias, terminais portuários, aeroportos e gigantescos centros de distribuição tecnológicos. É a ciência de garantir que o produto certo chegue ao destino final no menor tempo e com o menor custo possível.

Em um país de dimensão territorial imensa como o Brasil, a importância desse mercado é colossal. Os setores de logística e transporte representam cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e estão entre os que mais empregam. De motoristas de carga e operadores de empilhadeira a engenheiros de dados e especialistas em cadeia de suprimentos (supply chain), milhões de brasileiros trabalham diretamente para o setor.

Com a consolidação definitiva do comércio eletrônico e a necessidade de escoamento recorde da produção do agronegócio e da indústria, o potencial de crescimento do mercado de logística é exponencial e atrai bilhões de reais em investimentos privados todos os anos.

Gargalos e Desafios Estruturais 

Apesar de sua importância para toda a economia, a logística brasileira enfrenta desafios históricos que encarecem os produtos e reduzem a competitividade das empresas no exterior. Diferentemente de países de dimensões continentais semelhantes (como Estados Unidos, China ou Rússia), que utilizam os trens e navios como base de sua circulação, o Brasil depende do asfalto para movimentar a maior parte da sua riqueza. 

O motivo é a imensa concentração em um único caminho. A matriz de transportes nacional continua fortemente dependente do modal rodoviário, que concentra 61,1% da carga transportada, enquanto as ferrovias representam apenas 21%, segundo dados da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestres). 

As rodovias têm a vantagem de terem altíssima flexibilidade e capilaridade, com o caminhão indo de porta em porta e conectando municípios do país. Mas esse é o modal mais caro por tonelada transportada porque, embora o modelo garanta capilaridade para chegar a qualquer cidade, o custo de manutenção de frotas é altíssimo, agravado pela qualidade precária de grande parte das estradas pavimentadas e pelos riscos de roubo de carga em eixos urbanos.

As ferrovias, no entanto, funcionam a custos baixos para longas distâncias, ainda que hoje operem, essencialmente, para transportar cargas pesadas de exportação (commodities), como minério de ferro e grãos (soja e milho), conectando as fronteiras agrícolas e mineradoras diretamente aos portos. Da mesma forma, o modal aquaviário, formado por hidrovias e cabotagem, é responsável por aproximadamente 14% de toda carga transportada hoje no país e também apresenta custos bem mais em conta.

Há uma série de ações governamentais que visam tirar do papel os planos de usar todo o potencial desses outros modais para a escoação de carga no país. Uma das principais ações é o Projeto das Condições Gerais de Transportes Ferroviários (CGTF), criado no contexto do Marco Legal das Ferrovias e do Programa Pró-Trilhos, do Ministério da Infraestrutura, que tem como objetivo criar um novo marco regulatório para o setor, com a consolidação de normas dispersas, a eliminação de sobreposições e conflitos regulatórios.

Nas grandes cidades, especialmente, o desafio é da chamada logística de última milha (last mile). Trata-se da entrega que sai do centro de distribuição para ser levada até a porta da casa de um consumidor de produto de e-commerce. Essa entrega esbarra no trânsito caótico das metrópoles e na falta de infraestrutura urbana adequada, o que deixa o frete mais caro e atrasa os prazos de envio.

O Futuro da Logística

Os desafios mostram que há muito a avançar neste setor, crucial para toda a economia do país. A expectativa para os próximos anos é que a revolução tecnológica e estrutural contribua para a urgência de destravar tais gargalos, tanto no cenário doméstico quanto no mercado internacional.

No Brasil, a expectativa de mudança está apoiada no avanço do modelo de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs), chanceladas via Bolsa de Valores (B3). O capital privado tem assumido um papel importante na modernização de portos e aeroportos e no desenho de novas ferrovias. Os planos do país visam criar uma matriz de transportes multimodal, onde o trem e o navio façam o transporte pesado de longa distância e o caminhão atue na distribuição regional de curto alcance.

Nos últimos anos, inteligência de dados e automação viraram as palavras de ordem do setor logístico. Empresas usam dados para tornar as entregas mais ágeis, além dos robôs que já são operados em grandes armazéns inteligentes, testados para contribuir com a expansão inevitável do setor no mundo. Frotas de caminhões elétricos ou movidos a biocombustíveis também devem contribuir para redesenhar rotas menos poluentes.