Real Estate: onde a economia ganha forma concreta e impulsiona o crescimento

Da moradia aos grandes empreendimentos, o setor movimenta investimentos e impulsiona o desenvolvimento econômico

Foto: Leila Melhado/Getty Images
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Se o alicerce, a base de sustentação de um país, é a infraestrutura, o setor de Real Estate é onde a vida econômica e social ganha forma concreta. A área, também chamada de mercado imobiliário, abrange muito mais do que os imóveis que alugamos ou compramos para morar. Abarca desde os grandes condomínios residenciais até ativos comerciais estratégicos, como galpões logísticos, prédios corporativos de alto padrão, shopping centers e hotéis.

Em outras palavras, é o setor que edifica o espaço onde as pessoas moram, as indústrias estocam seus produtos e o comércio acontece. E que viabiliza a entrega rápida do e-commerce, o escritório moderno que sedia grandes corporações e o shopping que movimenta o consumo urbano. Em um país urbano e em constante transformação como o Brasil, o Real Estate ganha importância por funcionar como um termômetro da atividade econômica e um dos motores do Produto Interno Bruto (PIB).

Também é um dos segmentos que mais empregam no País. Cada novo empreendimento gera empregos diretos e indiretos, movimentando a economia desde o comércio local até os grandes fundos de investimento. Além disso, para se manter produtivo, é um setor que mobiliza diversas outras cadeias, em especial a indústria de base (aço, vidro, cimento), a área de serviços (arquitetura, engenharia, advocacia) e o mercado financeiro.

Isso explica também por que os preços finais de empreendimentos imobiliários, de uma casa a um shopping, têm impacto sobre o entorno e a economia. Eles influenciam o valor dos ativos, a dinâmica de preços das regiões, os custos dos insumos utilizados na construção e até as condições de financiamento oferecidas pelo sistema financeiro.

O potencial de crescimento do mercado brasileiro é significativo. O País possui um déficit habitacional histórico que exige a construção de milhões de novas moradias, ao mesmo tempo em que a modernização das empresas demanda espaços comerciais cada vez mais tecnológicos, eficientes e sustentáveis.

Desafios pela frente

Por ser tão importante e estar conectado a diversos outros segmentos da economia, incluindo indústria e serviços, o setor de Real Estate sofre impactos diretos das mudanças macroeconômicas do Brasil e do mundo. O custo de capital interfere diretamente em todos os processos da cadeia, além de o mercado imobiliário depender fortemente de crédito.

E aqui falamos de crédito tanto para a construtora que financia a obra quanto para o cliente final que compra o imóvel em prazos de até 30 anos. Quando a inflação e a taxa básica de juros (Selic) permanecem em patamares elevados, o financiamento encarece, reduzindo o poder de compra das famílias e elevando o custo de construção das empresas.

Outro desafio está na diferença entre a velocidade exigida pelo mercado para a construção e entrega de ativos e os processos burocráticos do setor público. Projetos imobiliários frequentemente enfrentam demora para obtenção de licenças ambientais, aprovação em órgãos municipais e emissão de alvarás. Esse processo pode aumentar o tempo necessário para tirar empreendimentos do papel, elevar custos e gerar maior incerteza para investidores.

Também existe a questão da infraestrutura urbana necessária para sustentar novos projetos. Grandes empreendimentos imobiliários, como bairros planejados ou centros logísticos, dependem de uma estrutura que vai além da construção em si. É necessário garantir acesso a vias de transporte, saneamento básico, fornecimento de energia e conectividade digital. Sem esse suporte, os projetos podem enfrentar limitações operacionais e dificuldades para atingir o desempenho esperado.

Expectativas de crescimento

O horizonte para o Real Estate aponta para uma transformação impulsionada pelo mercado de capitais, pela tecnologia e pelas demandas de sustentabilidade. Nos últimos anos, a engrenagem ganhou força com o financiamento feito por investidores por meio dos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

A criação e a popularização desses produtos ajudam o mercado a reduzir sua dependência das fontes tradicionais de financiamento e abrem novos caminhos de crescimento por meio do crédito privado. Esses instrumentos financeiros permitem que investidores institucionais e pessoas físicas participem do financiamento de empreendimentos como hospitais, galpões logísticos e edifícios corporativos, ampliando as fontes de recursos disponíveis para o setor.

No mundo, o Real Estate está sendo redesenhado pelos conceitos de proptechs (startups que digitalizam a jornada imobiliária) e pelas certificações ambientais. A busca por maior eficiência energética e pela redução das emissões tem incentivado a construção de empreendimentos com soluções mais sustentáveis. As alternativas incluem fachadas que geram energia solar, sistemas automatizados de reúso de água, materiais de construção de baixa pegada de carbono e sensores de inteligência artificial que otimizam o uso do ar-condicionado e da iluminação em tempo real.

O mercado de galpões logísticos segue em expansão para acompanhar a digitalização do consumo, com empreendimentos cada vez mais conectados próximos às grandes cidades. Hoje, o setor combina construção, mercado de capitais, tecnologia e soluções voltadas à eficiência operacional e ambiental, refletindo as transformações pelas quais passam as cidades e a economia.