Infraestrutura: a base que sustenta o crescimento econômico

Setor sustenta o crescimento econômico e conecta áreas estratégicas da economia

Foto: Getty Images
Publicidade

Todo o crescimento econômico, a produtividade industrial e a qualidade de vida de uma sociedade funcionam em uma base de sustentação chamada infraestrutura. Compreendendo os setores de energia, saneamento básico, transportes (rodovias, ferrovias, portos e aeroportos) e telecomunicações, é por ela que todas as outras atividades econômicas se desenvolvem. 

É o encanamento que leva água tratada, a linha de transmissão que acende as luzes das fábricas, a antena que propaga o sinal de internet e o trilho que escoa a safra até os portos. Em país imenso e populoso como o Brasil, esse mercado ganha uma dimensão enorme, além de um impacto social de extrema importância, chaves para o avanço da economia como um todo. 

O setor é um dos maiores geradores de emprego e renda do país: por ter uma cadeia produtiva longa, cada bilhão de reais investido em obras de infraestrutura ativa imediatamente a indústria de base (aço, cimento, máquinas) e emprega milhares de pessoas, desde a engenharia de alta performance até a mão de obra operacional.

O potencial de crescimento do mercado brasileiro é considerado um dos maiores do mundo, uma vez que o país precisa expandir e modernizar suas redes para atender às demandas do agronegócio e acelerar a inclusão digital e o saneamento básico de milhões de cidadãos.

Desafios pela frente

Apesar de sua relevância, a infraestrutura brasileira enfrenta um déficit histórico que a coloca aquém de seu potencial. O conjunto de dificuldades estruturais, logísticas e burocráticas que encarecem a produção nacional, o chamado “Custo Brasil”, está diretamente ligado a esses gargalos.

O primeiro grande nó está no setor de transportes e logística. Como o país concentra a maior parte de sua movimentação de cargas no modal rodoviário, a falta de uma malha ferroviária e hidroviária integrada encarece o frete nacional e reduz a competitividade das exportações brasileiras no mercado internacional.

Outro gargalo crítico está no saneamento básico. Embora o país tenha avançado a passos largos com a aprovação do Marco Legal do Saneamento, milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso à coleta e ao tratamento de esgoto e à água potável, o que gera impactos severos na saúde pública, na produtividade do trabalhador e nos índices de desenvolvimento humano. E há ainda muito o que avançar em telecomunicações e energia. 

Expectativas de Crescimento

O horizonte para a infraestrutura, no Brasil e no mundo, aponta para uma revolução impulsionada pelo capital privado e pela tecnologia. O país entrou definitivamente em um ciclo em que o mercado de capitais assumiu o protagonismo dos investimentos.

No cenário doméstico, a grande expectativa de avanço está ancorada na consolidação das concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) capitaneadas pela Bolsa de Valores (B3). O apetite privado, financiado pela emissão recorde de títulos como as debêntures incentivadas e os fundos FI-Infra, têm destravado dezenas de bilhões de reais para modernizar rodovias e universalizar o saneamento. A expectativa é que, nos próximos anos, a participação do investimento privado continue em patamares recordes.

No mundo, a infraestrutura tem sido redesenhada pelo conceito de Cidades Inteligentes (Smart Cities) e resiliência climática. Diante do aumento de eventos climáticos extremos, o foco global mudou: não basta construir estradas ou pontes, elas precisam ser inteligentes e adaptáveis. Redes de energia inteligentes, pavimentos capazes de absorver água da chuva e sistemas de monitoramento via inteligência artificial estão virando a regra.

A transição energética e a digitalização dão o ritmo dessa nova economia, com o avanço da tecnologia 5G e das redes de fibra óptica para garantir a conexão digital de indústrias inteiras em tempo real. O que antes era um setor apenas feito de cimento e asfalto, ganha cada vez mais uma roupagem moderna balizada em inovação e sustentabilidade ecológica.