Como funciona o private equity e por que ele ganhou espaço na economia

Com participação ativa na gestão das empresas, esses fundos investem no crescimento de negócios de longo prazo

Fundos de private equity investem em empresas com potencial de crescimento - Foto: Getty Images
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Apesar do nome em inglês, o conceito é relativamente simples: trata-se de fundos de investimento que compram participações em empresas que não têm ações negociadas na Bolsa de Valores. É o dinheiro que financia o crescimento de companhias fora do radar do grande público ou que passam por processos profundos de reorganização.

Diferentemente de um investidor comum que compra uma ação na Bolsa e pode vendê-la minutos depois, o private equity atua no longo prazo. Esses fundos reúnem capital de gigantes, como fundos de pensão, seguradoras, bancos e grandes fortunas familiares, para se tornarem sócios de empresas por um período que costuma durar de cinco a dez anos. O objetivo final é profissionalizar o negócio, fazê-lo crescer e, anos mais tarde, vender essa participação com lucro.

Durante o período de investimentos, os gestores não só desembolsam recursos financeiros como entram na empresa para orientar os rumos estratégicos e participar ativamente das decisões. O caminho normalmente segue algumas etapas bem definidas.

Primeiro, o fundo identifica empresas com alto potencial de crescimento ou que precisem de capital para expandir suas atividades. Depois, faz uma análise extremamente detalhada do negócio, conhecida no mercado como due diligence. Nessa fase, uma varredura profunda avalia os riscos financeiros, operacionais, jurídicos e regulatórios antes da injeção de capital.

Após o investimento, começa o período de desenvolvimento, em que o fundo apoia a abertura de novas unidades, aquisição de tecnologias, expansão geográfica ou consolidação de mercado por meio de fusões e aquisições. A etapa final ocorre quando o investidor vende sua participação para um concorrente estratégico, para outro fundo ou via abertura de capital na Bolsa de Valores (IPO).

Espaço conquistado

O private equity ganhou espaço porque passou a ocupar uma lacuna importante da economia, para atender um tipo específico de companhias. É que muitas empresas atingem um estágio em que precisam de investimentos elevados para crescer, mas ainda não possuem tamanho suficiente para captar recursos no mercado de capitais ou enfrentam dificuldades para conseguir financiamentos tradicionais.

Além disso, empresas familiares frequentemente chegam a momentos de transição em que precisam profissionalizar a gestão ou ampliar a escala de operação. Nesses casos, os fundos podem atuar como parceiros estratégicos, uma forma de trazer olhares externos e profissionais para a administração do negócio.

No setor de infraestrutura, o movimento ganhou força nos últimos anos. Projetos de energia, saneamento, logística, mobilidade urbana e telecomunicações exigem grandes volumes de recursos e planejamento de longo prazo. Como são investimentos elevados e com retorno distribuído ao longo de vários anos, o perfil se aproxima das características dos fundos de private equity.

A expansão do saneamento básico no País é um exemplo. Mudanças regulatórias abriram espaço para novos investimentos privados, o que atraiu fundos interessados em projetos de grande porte. O mesmo ocorre em áreas como energia renovável, centros logísticos e infraestrutura digital.

Acesso a setores

Uma das principais vantagens de investir em private equity, principalmente em países como o Brasil, é ter acesso a investimentos em setores da economia que não são representados por empresas listadas na Bolsa brasileira.

Setores de vanguarda, ou teses de nicho, que não costumam ser representados por companhias listadas, encontram seu lugar no portfólio do investidor via investimento em private equity.