O que são e como funcionam os fundos de infraestrutura

Fundos reúnem recursos de diversos investidores para financiar obras e projetos estratégicos no País

Indústria de cabos para infraestrutura e telecomunicações - Foto: Getty Images
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Aos poucos, a paisagem urbana e econômica do Brasil passa por uma transformação de melhoria silenciosa, que envolve recursos, tempo e precisão. A infraestrutura do País avança a cada rodovia recém-asfaltada, internet via fibra óptica instalada no interior ou com a chegada de redes de saneamento básico em cidades pequenas.

O que ainda precisa ser mais conhecido é que o motor financeiro por trás dessas obras gigantescas não é só o caixa do governo e sim, principalmente, o bolso de muitos brasileiros. É que de anos para cá ficou cada vez mais comum investir em um tipo de produto, específico para quem quer obter retornos financeiros e contribuir com as engrenagens de crescimento do País: os FI-Infra (Fundos de Investimento em Infraestrutura).

Esses fundos são a principal porta de entrada do investidor pessoa física para contribuir para o crescimento do País e, de quebra, diversificar seus investimentos, proteger seu patrimônio da inflação e ainda ter isenção no Imposto de Renda.

De forma simples, um FI-Infra funciona como um grande condomínio financeiro. O gestor do fundo reúne o dinheiro de vários investidores (os cotistas) e utiliza esse montante para financiar projetos estruturais essenciais. Diferentemente de ações ou dos fundos imobiliários, o FI-Infra foca em crédito para financiar projetos de infraestrutura. Na prática, o gestor do fundo compra títulos de dívida, chamados de debêntures incentivadas.

Em outras palavras, em vez de cada pessoa tentar comprar um único título de dívida individualmente, milhares de investidores juntam seus recursos sob a administração de uma gestora profissional e delegam o acompanhamento desse ativo.

Esses fundos podem ser listados, sendo negociados em Bolsa, no mercado de balcão, ou podem ser resgatáveis. Vale reforçar, que os FI-Infras são fundos isentos de Imposto de Renda para a pessoa física, seja no recebimento de algum tipo de dividendo, seja no resgate do fundo.

Como esses tipos de fundos são compostos?

A mecânica do fundo segue quatro passos simples:

  1. Captação: o fundo inicia um processo de captação de recursos com os investidores, e recebe assim capital para investir em ativos.
  2. Compra dos Ativos: com o dinheiro arrecadado, a equipe de gestão do fundo compra uma carteira composta de debêntures incentivadas.
  3. Fluxo de Caixa: à medida que as obras funcionam e geram receita, seja com cobrança de pedágios ou contas de luz, por exemplo, as empresas começam a pagar os juros dessas dívidas de volta e o fundo começa a receber retorno dos ativos.
  4. Pagamento de Dividendos: alguns desses fundos pagam dividendos em bases mensais ou semestrais, que são distribuídos para os investidores de maneira proporcional.

Imposto de Renda e diversificação

Criados por uma legislação federal para incentivar a população a financiar as obras que o Estado não tem orçamento para arcar, esses fundos contam com o benefício do imposto zero para a pessoa física, um dos motivos pelos quais esses investimentos se popularizaram.

Diferentemente de ações tradicionais ou fundos imobiliários convencionais, a isenção nos FI-Infra é dupla:

  • Isenção nos Rendimentos: os dividendos que pingam na conta do investidor todos os meses são 100% livres de Imposto de Renda.
  • Isenção no Ganho de Capital: se o investidor comprar cotas do fundo por R$ 100 e, após uma valorização de mercado, decidir vendê-las por R$ 120, o lucro de R$ 20 também estará totalmente isento de imposto. Em fundos imobiliários, essa venda geraria 20% de tributação, mas no FI-Infra o imposto é zero.

Além da vantagem tributária, investir em fundos de infraestrutura é uma forma de aplicar em negócios que tiram a infraestrutura do País do papel de uma maneira mais em conta (a partir de R$ 100 há fundos disponíveis) e com maior liquidez (você consegue resgatar a cota se precisar sem a necessidade de esperar vencimentos longos). Há outra vantagem: a grande maioria dos títulos que compõem esses fundos é indexada ao IPCA (inflação), que protege o poder de compra do patrimônio do investidor durante o tempo do investimento.

Como esses ativos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a escolha de fundos geridos por instituições sólidas e experientes continua sendo a regra de ouro para garantir um futuro financeiro seguro e rentável.

Como começar a investir na prática

A popularização dos fundos de infraestrutura nos últimos anos tornou a maneira de comprar e vender cotas acessível, veja só:

Bolsa de Valores

  1. Abra conta em uma corretora: você acessa as opções via plataforma do seu banco ou corretora de valores.
  2. Identifique as oportunidades de fundos incentivados disponíveis.
  3. Lembre-se de que o investimento em fundos proporciona uma carteira diversificada e acessível – existem opções listadas com valores de investimento próximos a R$ 100.

Incorporar um FI-Infra na carteira é associar seus retornos pessoais ao avanço estrutural de que o Brasil tanto precisa. Com cuidado na escolha, foco no longo prazo e gestão diluída de riscos, eles representam um canal direto por onde passam o crescimento nacional e a construção de um patrimônio sólido.